Hoje vim contar para vocês um pouco sobre o porquê de o foco da Matsu ser este: trazer momentos de pausa e rituais de autocuidado para tornar a vida mais leve e com mais bem-estar.

Por muito tempo (na verdade por quase 9 anos) eu só trabalhei. Acordava, ia trabalhar, voltava para casa tarde já na hora de dormir, e assim todos os dias se repetiam de forma igual.

Eu agradeço por ter começado bem jovem no mercado de trabalho, isso me deu tempo de ter a coragem para desistir depois de 9 anos e ainda sou jovem (pedi demissão aos 30 anos).

Eu acredito que não existe idade pra recomeçar, eu poderia ter feito isso agora ou aos 40, 50 anos, mas é um fato que quanto mais jovem você recomeça e quanto mais jovem você toma a atitude de ter coragem de ir em busca do que você acredita, mais fácil é recomeçar e mais tempo você terá para fazer isso e até para se refazer novamente se necessário. 

E tudo isso tem a ver com o setor no qual decidi empreender. Autocuidado. Bem-estar. Durante 9 anos eu me deixei de lado todas as vezes para priorizar demandas e urgências que não eram minhas. 

Por isso na hora de começar a empreender, eu não tive dúvidas que queria trabalhar com algo que trouxesse autocuidado e alegria para as pessoas. Algo artesanal, feito à mão e pensado com muito carinho para quem fosse usar. Algo totalmente ligado a beleza e a autoestima. 

Eu era (e sou) muito grata por tudo e pela minha carreira, sei que foi um grande privilégio. Eu ganhava bem, tinha bons benefícios... Mas eu tinha sonhos, vontades e desejos.

Na assessoria executiva você cuida não só da agenda de uma pessoa no trabalho (ou de várias, já que em certos períodos eu fui responsável por mais de 12 executivos), mas principalmente de várias demandas pessoais e da família da pessoa.

Acontece que eu passava tanto tempo cuidando da vida dos outros que não sobrava tempo para minha. 

E isso impactou demais a minha mente, talvez por eu ser ainda tão jovem. Impactou minha autoestima, meu relacionamento, meus sonhos. 

Eu queria viajar, mas sempre estourava uma bomba e aparecia alguém para conversar comigo sobre como seria importante eu ficar no escritório nesse momento, e assim eu fiquei 2 anos sem férias...

Eu queria sair mais cedo para estudar para uma prova da faculdade, mas as demandas eram tantas que eu precisava escolher: ir mal na prova ou arriscar perder minha fonte de renda? E assim, eu que sempre fui super bem na faculdade, comecei a ir mal e faltar até em provas.

Eu queria aprender a dirigir, mas mesmo no primeiro ou último horário da autoescola eu ainda estava no trabalho, então não tinha como. Eu queria voltar a estudar japonês que era um hobby que eu amava, mas não tinha mais tempo e desisti.

Eu queria viajar e sumir nos meus finais de semana e fazer trilha em algum lugar sem sinal, mas precisava me justificar ao meu superior que eu não conseguiria responder mensagens durante meu tempo de folga. E por aí vai, eu poderia ficar aqui escrevendo uma lista com mais de mil frustrações.

E sabe qual o problema de tudo isso? 

Na terapia eu descobri que esses tipos de frustrações acumuladas eram muito mais graves do que eu pensava. 

Na minha cabeça eu era jovem e precisava dar esse gás porque eu tinha energia e que algum dia tudo isso ia mudar. Na prática, você pode pensar dessa forma (e não está de todo errado), realmente é bom dar um gás quando se ainda é jovem, foi o que me proporcionou formar uma boa reserva e investimentos que me ajudaram com os meus sonhos.

O problema é que cada vez que eu cedia no trabalho a algo que eu achava injusto ou presenciava certos padrões de comportamento dos quais eu não concordava, uma parte de mim morria. Eu sentia como se literalmente uma violência estivesse acontecendo comigo. Esse é o peso das frustrações e de não respeitar seus próprios valores.

Você começa a ensinar para seu cérebro que o que você quer não importa, que você pode ficar em segundo lugar, que você não vale o sacrifício de honrar seus compromissos consigo mesma e que deve sempre colocar os outros em primeiro plano e quanto a você mesma....bem, só se sobrar tempo em algum momento. 

Eu descobri que com o tempo isso tem um poder gigantesco em nossa autoestima. Que o buraco estava ficando muito mais fundo do que eu pensava. E foi graças a terapia que consegui entender tudo isso e me libertar. 

Aprendi algo que eu não tinha ideia: que autoestima também se constrói quando você honra seus desejos, segue seus valores e cumpre os compromissos que estabelece consigo mesma. 

Como diz meu terapeuta: você começa a ser feliz quando começa a parar de tomar atitudes embasadas em "fuga da dor" e começa a agir pela "busca da alegria".

Então antes de tomar uma atitude, pare e pense: Eu estou fazendo isso para fugir de ficar triste ou com raiva? Eu estou fazendo porque me preocupo com o que vão pensar de mim? Quero evitar algum desconforto? Ou estou agindo com coragem e pensando na alegria que posso ter/encontrar ao fazer isso? 

Acredite, falando até parece fácil, mas na prática eu não sei se é mais difícil tomar a coragem de agir ou se é perceber a linha tênue que é a diferença de quando você está fazendo algo para "fugir da dor" ou não. As vezes é difícil saber a diferença, mas com a prática acho que vai ficando mais fácil (espero!). 

Me exigiu muita coragem e um esforço que eu pensei não ser capaz de ter para pedir demissão do emprego que apesar de me fazer mal, era confortável. Nosso cérebro prefere o conforto do conhecido ruim do que encarar o desconhecido que pode ser maravilhoso. 

Hoje e cada vez mais, ao olhar para a Matsu Bodycare, quero ver não só o fruto da decisão de agir pela alegria, mas também o de poder trazer mais pessoas para a rotina do autocuidado e da autoestima, agindo pela alegria e não pelo medo. Cada fórmula, cada textura e cada detalhe carrega o valor pelo qual hoje me pauto: o respeito ao nosso próprio tempo e às pausas que são tão necessárias.

Que nossos rituais de autocuidado possam te lembrar, diariamente, de escolher a si mesma com a coragem e o carinho que você merece.